terça-feira, 1 de abril de 2008

A saudade: da que coça à que mata


A minha irmã, minha melhor amiga, mora longe. Já faz tempo. Há mais de cinco anos que convivo com a saudade tipo 5, a mais doída. Porque, assim como furacões e terremotos, existe uma escala para a saudade.

Nível 1 - é aquela que você sente dos amigos que moram na mesma cidade, mas que você não faz nada para encontrá-los. Realmente sente falta deles, mas sempre deixa o happy hour para outro dia. Decididamente não é uma prioridade na sua vida. Os vê uma ou duas vezes por ano, é sempre uma delícia, mas sabe que demorará “décadas” para encontrá-los de novo. E tudo bem.

Nível 2 - é a saudade que sente dos amigos que moram longe, mas que mesmo quando estavam na mesma cidade, você ficava um tempão sem vê-los. Uma curiosidade é que depois que eles se mudaram, vocês, via internet, passaram a ter mais contato. Pode até acontecer deles virem de férias e vocês nem se encontrarem. E tudo bem também.

Nível 3 - é a que sente dos amigos que moram na mesma cidade, que você encontra com frequência, mas está constantemente com saudade. Quando se vêem é sempre uma festa, cheia de abraços apertados.

Nível 4 - é a saudade que você sente dos grandes amigos que moram longe. Vocês se falam por e-mail, sempre sabem da vida do outro e contam os dias para se reencontrar. E é nesse nível que começa a doer.

Nível 5 - é a saudade que eu sinto da Gusta. É aquela latejante, que às vezes aperta mais, às vezes menos, mas está lá, 24 horas por dia. Dói. É uma dor física mesmo, o aperto no peito literalmente. Quando mais intensa, vem acompanhada de nó na garganta. Têm momentos que você até sente o cheiro da pessoa, pensa nela diversas vezes por dia; e a possibilidade do reencontro é como um sonho. 

Como é bom pensar que durante o mês de maio não sentirei saudade dela.

 PS: tem também a saudade dos que já morreram, mas essa é outra história...